Outra coisa intrigante é o fato de os jornalistas se sentirem vilipendiados pelo fato de a Petrobrás divulgar as perguntas e respostas feitas por eles, como se a mídia detivesse um suposto direito à propriedade sobre as informações. O argumento é de que essa conduta exporia, aos demais colegas, as linhas investigativas do repórter, retirando a possibilidade das chamadas notícias exclusivas.Numa coletiva, por exemplo, acaso as minhas perguntas e as respostas do entrevistados não ficaram à disposição de todos? Obviamente que, via de regra, no dia seguinte, os jornais exporão praticamente notícias similares sobre o que foi colhido no evento, mas isso não impede que alguns consigam extrair, das mesmas respostas que foram dadas a todos na coletiva, uma análise, um viés não explorado, um gancho diferente, certo?
Aliás, era bem isso de que tratava o Novo Jornalismo (do "jornalismo literário" de Tom Wolfe e Gay Talese). Este último, inclusive, é um dos entrevistados da Veja dessa semana e ficou famoso por ter escrito uma matéria sobre o Frank Sinatra, que vale ser mencionada.
Talese havia sido contratado pela Esquire para elaborar um perfil sobre o cantor, mas ele havia se recusado terminantemente a receber o repórter. Tinha vários motivos para isso: estava furioso com um documentário sobre ele da CBS, com as especulações do suposto envolvimento com a máfia e com a atriz Mia Farrow (na época com vinte aninhos e ele às vésperas de seu cinquentenário) e, por fim, padecia de um resfriado que o deixava com um mau-humor dos diabos. Mesmo diante da resposta negativa, Talese ficou zanzando por Los Angeles, na esperança que o cantor mudasse de idéia, enquanto observava-o à distância e conversava com amigos. A obra-prima em questão relata uma não-entrevista, intitulada Frank Sinatra Has a Cold.
Ou seja, já na década de sessenta, muitos já começavam a se libertar do velho cadáver do furo jornalístico. Ser jornalista não era mais tão-somente dar a notícia em primeira mão (isso é o de menos), mas ser um formador de opinião e conseguir ver por outro ângulo aquilo que os demais nem vislumbravam. E isso não significava sonegar dados: informações são ferramentas, se você não souber o que fazer com elas, nada feito.
Em tempo, no final dessa semana, a mídia noticiou que o blog da Petrobrás "cedeu" e parou de postar suas respostas antes que as matérias fossem publicadas. De todo modo, isso foi mera discricionariedade da empresa, que resolveu concordar com um meio-termo e evitar mais dissabores com a imprensa. Mas, convenhamos, a proposta dos jornalistas de boicotar a estatal por estar fazendo algo legalmente permitido era tacanha e irresponsável. Enfim, isso já deve ser assunto morto em alguns dias.


2 comentários:
tu nunca vai pro cinema né, mas o Intrigas de Estado, que tá passando, apesar de nào ser um filme brilhante e cheio de ação, é bem interessante pra quem gosta do tema jornalismo.
ola
muy buen blog por lo que vi en el primer articulo.
Oye sme gustaria tener amigos de otros paise.
Soy perteneciente a México.
Espero que tambien visites mi blog
Saludos!
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