14.6.09

A Petrobrás está resfriada

Outra coisa intrigante é o fato de os jornalistas se sentirem vilipendiados pelo fato de a Petrobrás divulgar as perguntas e respostas feitas por eles, como se a mídia detivesse um suposto direito à propriedade sobre as informações. O argumento é de que essa conduta exporia, aos demais colegas, as linhas investigativas do repórter, retirando a possibilidade das chamadas notícias exclusivas.

Numa coletiva, por exemplo, acaso as minhas perguntas e as respostas do entrevistados não ficaram à disposição de todos? Obviamente que, via de regra, no dia seguinte, os jornais exporão praticamente notícias similares sobre o que foi colhido no evento, mas isso não impede que alguns consigam extrair, das mesmas respostas que foram dadas a todos na coletiva, uma análise, um viés não explorado, um gancho diferente, certo?

Aliás, era bem isso de que tratava o Novo Jornalismo (do "jornalismo literário" de
Tom Wolfe e Gay Talese). Este último, inclusive, é um dos entrevistados da Veja dessa semana e ficou famoso por ter escrito uma matéria sobre o Frank Sinatra, que vale ser mencionada.

Talese havia sido contratado pela Esquire para elaborar um perfil sobre o cantor, mas ele havia se recusado terminantemente a receber o repórter. Tinha vários motivos para isso: estava furioso com um documentário sobre ele da CBS, com as especulações do suposto envolvimento com a máfia e com a atriz Mia Farrow (na época com vinte aninhos e ele às vésperas de seu cinquentenário) e, por fim, padecia de um resfriado que o deixava com um mau-humor dos diabos. Mesmo diante da resposta negativa, Talese ficou zanzando por Los Angeles, na esperança que o cantor mudasse de idéia, enquanto observava-o à distância e conversava com amigos. A obra-prima em questão relata uma não-entrevista, intitulada
Frank Sinatra Has a Cold.

Ou seja, já na década de sessenta, muitos já começavam a se libertar do velho cadáver do furo jornalístico. Ser jornalista não era mais tão-somente dar a notícia em primeira mão (isso é o de menos), mas ser um formador de opinião e conseguir ver por outro ângulo aquilo que os demais nem vislumbravam. E isso não significava sonegar dados: informações são ferramentas, se você não souber o que fazer com elas, nada feito.

Em tempo, no final dessa semana, a mídia noticiou que o blog da Petrobrás "cedeu" e parou de postar suas respostas antes que as matérias fossem publicadas. De todo modo, isso foi mera discricionariedade da empresa, que resolveu concordar com um meio-termo e evitar mais dissabores com a imprensa. Mas, convenhamos, a proposta dos jornalistas de boicotar a estatal por estar fazendo algo legalmente permitido era tacanha e irresponsável. Enfim, isso já deve ser assunto morto em alguns dias.

2 comentários:

euthanatos disse...

tu nunca vai pro cinema né, mas o Intrigas de Estado, que tá passando, apesar de nào ser um filme brilhante e cheio de ação, é bem interessante pra quem gosta do tema jornalismo.

DAZER disse...

ola
muy buen blog por lo que vi en el primer articulo.
Oye sme gustaria tener amigos de otros paise.
Soy perteneciente a México.
Espero que tambien visites mi blog
Saludos!